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segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Vida uma rima, experiências poesia.

Não tem hora e local, escrevo pra vocês, rola um som no fone de ouvido, e ele me traz ótimas lembranças,  como se voltasse em  momentos passados e conseguisse sentir o cheiro, as brisas, os sabores ...


E exatamente assim que me sinto sempre que vivo um grande momento, uma experiência grandiosa, e pra quem procura, elas realmente estão sempre presentes, hoje vou falar a respeito de uma vida intensa, sempre atrás de  sentir o néctar das experiências, ver novos nasceres do sol, por do sol em lugares diferentes, escutar o álbum novo de sua banda favorita, sentir o frio e o vento das montanhas de altitude, a calmaria de um mar de verão, as amanitas de inverno.



Acredito que a paixão por aventura já nasce conosco. As montanhas foram só consequência. Meus pais contam que desde pequeno eu já mostrava esse meu lado “explorador”. Curto desafiar a mim mesmo é o que realmente me motiva.

Escrevo para libertar os sentimentos, trazer as novidades ao meu espírito, escrevo pelo simples fato de escrever, como citou thoreau “Como se fosse possível matar o tempo, sem ferir a eternidade’’.

Eu não quero ter razões para viver, eu quero ser a razão do meu viver, e de tudo que vivenciarei nessa vida pretendo ser o protagonista, e não assistir da tv ou computador a vida dos outros e achar que algo vai acontecer se você ou eu ficar parado apenas como telespectador, pra tudo na vida e também na poesia das palavras, precisamos de uma fonte de inspiração, que pode ser muitas coisas, uma pessoa em especial, uma expedição, uma experiência, no meu caso é um pouco de tudo, essa voz me guia desde a primeira vez que senti a sensação de estar na natureza selvagem, apenas comigo mesmo, pois nunca parei para pensar, penso enquanto dirijo, enquanto caminho, enquanto vivo, pensando e vivendo, vivendo e aprendendo.

Às vezes temos dificuldades em entender as palavras e sentimentos dos outros, isso porque a pessoa que escreve geralmente esta tentando trazer para palavras algo do coração, uma coisa muito além de palavras, são sentimentos, rasuras do tempo, sopros do vento, um calor no relento, uma partitura do desejo, uma noite de apenas um beijo, uma vida em uma canção e um bom vinho em um inverno intenso.


Curto contemplar a lua, observar o universo, ele me traz um sentimento de pequeno, de humildade perante a sua grandeza, isso faz com que olhamos o mundo também como seres pequenos, pois só nos sentindo pequenos poderemos  nos tornar dignos de sermos grandes no futuro, não me refiro a muitos anos, e sim daqui a 1 minuto, isso já faz parte do futuro e de quem vamos nos tornar, sempre que tiver a oportunidade de olhar para essa imensidão que e o nosso universo e ter a certeza de que tudo por aqui é passageiro me trará uma afirmação necessária para a levar a vida adiante.

E quando o coração do poeta cansar? E quando o spray de fitar as paredes acabar? Pode ter certeza, nada disso fará com que a poesia termine, pois ele buscara a inspiração em novos lares, novos livros, novas musicas, novas aventuras, novas descobertas, novos amores, e com certeza sempre terá motivos para rimar, para errar e para amar, pode ser que o poema não esteja mais se referindo as tatuagens naquelas cores, o seu lindo cabelo loiro de neve já tenha se tornado uma avalanche, os ventos se tornaram ciclones, as ondas trouxeram tsunamis ao poeta restou apenas passar adiante palavras  de um amor  viajante.

Fui para os Bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não Descobrir que não vivi.
Henry D Thoreau

Indioê Alan Autovicz
 09/06/2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Arqueologia Barra da Lagoa – Florianópolis

Santa Catarina possui um rico acervo de inscrições rupestres pré-históricas em toda sua costa.
Cidades como Urubici, Na serra catarinense possuí registros datados de mais de cinco mil anos.
Eu um apaixonado por arqueologia e história, passando por uma experiência de aproximadamente dois anos na querida Ilha de Santa Catarina-Florianópolis, precisamente ao leste da ilha na Barra da Lagoa, lugar que vou escrever especificamente  nesse texto.

A Barra da lagoa e com toda a certeza um lugar diferenciado no mundo, A Barra é um daqueles recantos culturais, seu limite vem de um canal que fica entre a lagoa e o mar, criando um cenário onde não me canso de contemplar. Ali há uma comunidade de pescadores e pessoas incríveis, me chama sempre atenção a rica cultura e conhecimento desse povo, local aonde tenho ótimas lembranças, e também a todos desse lugar, que tenho pra sempre comigo. Obrigado!

Canal da Barra

Meus votos mais sinceros também a dois pesquisadores de meu máximo respeito, Ao Professor Sr. Adnir Antônio Ramos antropólogo do IMMA (Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia)- Que fica na Fortaleza da barra- Florianópolis, Lugar que eu sugiro a todos visitarem e entenderem melhor do que me refiro, Será uma experiência incrível. Um conhecimento  de muito valor. No meu ponto de vista o pesquisador com mais propriedade no assunto em nosso estado e talvez em nosso país. Também  ao arqueólogo sr. Keller Lucas que esteve comigo nesse tempo e  também pode me ajudar muito com os estudos, que são preliminares, mais com um bom potencial tendo em vista a necessidade de uma preservação dos sítios e de todo esse grande acervo que faz parte de uma história muito grandiosa.

 Keller Lucas é conhecido como pesquisador autodidata de arte rupestre à cerca de trinta anos e autor de projetos de levantamento de potencial arqueológico em diversos municípios de Santa Catarina, E autor de livros importantes sobre o assunto como "Arte Rupestre na Ilha do Campeche" obra utilizada pelo IPHAN no processo de tombamento da ilha como Patrimônio Histórico e Ecológico da Nação.

Membro e conselheiro da Bradshaw Foundation (organização internacional de pesquisa de arte rupestre) e membro da SIARB (organização que congrega os pesquisadores da América Latina).

Participou de 2 Congressos Internacionais de Arte Rupestre. Um em Flagstaff, Arizona, EUA em 1994 e o outro em Cochabamba, Bolívia em 1997.

Possui o website www.kelerlucas.com.br que contêm o maior arquivo de arte rupestre de SC, com média de 10.000 visitas mensais, onde podem ser acompanhadas as pesquisas.


(Indioê Autovicz, Keller Lucas)

Brunidores Rupestres:

‘’Amoladores e/ou polidores chamados de oficina lítica, como me dizia também os pescadores ‘pratos ou moinhos de bugres’, Feito em sua maior parte em lajedos e em grandes pedras de diabásio, bem próximo ao mar.

Estes que estão muitas vezes enfeitando casas e jardins em todo nosso litoral, Restando hoje apenas alguns que ainda estão em grandes rochas e lajedos e que não puderam ser carregados.
Keller ressalta que existem varias formas do mesmo, sendo em sua maioria os circulares e longitudinais. Os circulares são de dois tipos: uns com parte central convexa e outros com essa parte côncava, os longitudinais são formados por sulcos que eram usados  para afiar pontar em instrumentos. (Keller,Lucas.1996, p.104)

(Barra da Lagoa Indioê Autovicz - Manoa Expedições)

Importante também falar a respeito das suas localizações geográficas  e importância histórica.  Tendo em vista que diversos desses lugares apresentam evidências de grandes tempestades, ciclones ou ate mesmo cata clismas, que se abateram em um passado remoto sobre seus moradores ali radicados. Fatos evidenciados pelos pelo movimento de grandes massas de rocha com brunidores rupestres que foram amontoados  e arremessados contra escarpas rochosas, ficando em posição impossível  de terem sido usados como estão atualmente, não se  sabe ao certo se eram usados apenas para amolar e polir e depois deixados de lado, ou se depois era usado para algum outro fim, como exemplo secar os alimentos.

Acredito que o conhecimento geral das pessoas e o acesso aos estudos façam com que a história local seja preservada, um caminho para a conscientização e preservação desses sítios.

Inscrições Rupestres Keller Lucas (1996) apresenta a hipótese de que os sítios onde podemos  encontrar inscrições rupestres era tidos como locais sagrados:

‘’Na praia do santinho na ilha da magia até o ano de 1946 os pescadores locais faziam oferendas e rezavam , pedindo proteção  e boa pescaria, em frente a uma arte rupestre com o formato de um pequeno santo, que era a figura de um antropomorfo com a cabeça constituída de um circulo concêntrico. Tal chamavam ‘Santinho’, que deu nome a praia. Foi arrancado do lugar pelos padres que achavam que aquilo era um sacrilégio  e nunca mais foi encontrado e um caso raro onde um símbolo sagrado pré histórico, continuou sendo sagrado até os dias de hoje.’’ (pág16)

Lembro que bem próximo a essas oficinais e vestígios arqueológicos, na barra da lagoa, temos o cemitério, local que os moradores e tido como sagrado, e que comentam ser um antigo cemitério indígena, cercado de mistérios. Local realmente muito energético e de uma beleza ímpar. 

(Ferrugem- Jonathas Kistner Manoa)
As rotas litorâneas e os caminhos da Serra do Mar têm sido constantemente explorados pela equipe de Pesquisa da Manoa, O trabalho abrange várias etapas incluindo pesquisa bibliográfica, saídas de campo e captação de imagens além de publicações

Meus Agradecimentos a todos que de alguma estão contribuindo para os estudos.

Indioê Alan Autovicz.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Pico Paraná - Conquista 2016 (PP)

Esse e um relato escrito com minhas próprias palavras a respeito de uma épica expedição realizada entre os dias 7 e 9 de maio de 2016 com objetivos de conquistar o temido P.P (Pico Paraná) a montanha mais alta do sul do país.



TRILHA

Primeira coisa: a trilha exige alguma técnica, é bastante longa e exaustiva, aconselho não ir sem ter um mínimo de experiência em trilhas ou equipamentos apropriados.

Na programação inicial para essa expedição estávamos em 4 integrantes, devido a compromissos pessoais dois integrantes da expedição tiveram que passar essa empreitada, sendo assim a trip seria em dupla, eu e meu grande amigo parceiro das expedições Andrey.

Como tínhamos compromissos no sábado de manhã e a trip precisava ser nesse final de semana, acabamos saindo de Blumenau no sábado a tarde. A ansiedade estava grande. As 13:00 aproximadamente do sábado embarcamos rumo a fazenda pico Paraná que fica na cidade de Campina Grande Do Sul-PR

A previsão do tempo era totalmente desfavorável, Com muito vento e chuva para todo o final de semana, como tínhamos nos programado e estávamos muito preparados resolvemos seguir em frente com a trip mesmo assim, a idéia era acampar de sábado para domingo na fazenda base e tentar a ascensão da montanha no domingo.

Chegando na fazenda uma surpresa na noite, o céu estrelado e o tempo totalmente aberto deram um ânimo a mais para o resto da expedição, fomos dormir cedo para sair ainda na madrugada rumo ao PP.

As 04:30 levantamos acampamento e partimos para a trilha com objetivos de chegar as 11:00 no A2, nos recompor e tentar o cume ainda no domingo.

A caminhada seguiu tranquila durante a noite, o tempo era agradável e estava indo tudo bem, pegamos as primeiras luzes do dia no cume do morro Getulio, e já tínhamos uma noção do que estava por vir pela frente com os imponentes caratuva e itapiroca em toda sua beleza.



A nossa primeira parada para hidratação e um breve café da manhã aconteceu na primeira bica d água, ali passaram por nós dois montanhistas do CPM, trocamos algumas informações e seguimos caminhada, a trilha estava bem sinalizada e não tivemos nenhum tipo de problema em relação a isso.

Ate que enfim chegamos aos temidos grampos entre o A1 e o A2. Já sabíamos pelos relatos que não seria fácil e que era um trecho aonde varias pessoas desistem, exige atenção (principalmente carregando mochilas pesadas), pois uma queda desse local pode ser preocupante.




A neblina nesse momento era muito forte, a visibilidade não passava de 20 metros, focados um passo de cada vez passamos pelos grampos na tensão extrema e mais um pouco de caminhada chegamos ao A2, lugar onde montamos o acampamento e fizemos um almoço reforçado para a tentativa de chegar no cume.



Esse era um momento decisivo, pois toda a programação, todo o estudo de meses e nossa vontade de conquistar o PP nunca estiveram tão próximos, seria mais 1 hora de subida em trecho íngreme e desfiladeiros com pedras e penhasco de ambos os lados. O vento já se mostrava presente e com muita força.




No final, o sucesso da empreitada se deveu à estratégia adotada. Se não fossem tomadas as decisões certas, talvez tivéssemos nos atrasado e perdido a janela de bom tempo. Estratégia correta, expedição perfeita. Pico Paraná, com 1.877m de altitude, figura como um grande desafio para os montanhistas de todo país, estávamos no cume assinando o livro e já realizados com o sucesso da empreitada.


Deixo as minhas palavras de agradecimentos ao meu companheiro de expedição Andrey M Rawietsch, A Manoa expedições grupo ao qual tenho muito orgulho de fazer parte da equipe e trazer essa conquista para todos, a todos os meus apoiadores e as pessoas que acreditam nesse trabalho, muito obrigado!

“Não conquistamos a montanha, conquistamos a nós mesmo’’
Indioê Alan Autovicz.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Expedição MANOA Monte Crista- Fevereiro 2016

Expedição Monte Crista

Nos dias 01, 02,03 de fevereiro de 2016 o Grupo Manoa através de seu representante Indioê Alan Autovicz vindo de Florianópolis juntamente com dois parceiros de montanha de Blumenau realizou uma expedição na região norte do estado de santa Catarina, onde está localizada a montanha chamada de "Monte Crista". Com o intuito de fortalecer os laços entre a montanha e seus admiradores, e obter um melhor conhecimento acerca da epistemologia da região fauna, flora, coleta de dados na região e captação de imagens para o projeto intitulado caminhos antigos de santa Catarina, Como pesquisador também estava fazendo medições e diversas fotos e vídeos para analise detalhada da estrutura na qual estávamos em foco, Deu se inicio a caminhada as 18h00min do dia 1 de fevereiro.

O Monte Crista é uma montanha detentora de um rico patrimônio natural e histórico, possui belezas ímpares do bioma mata atlântica. Local onde o instituto MANOA tem mais de 35 expedições registradas para pesquisas e aprofundamento de estudos.


Com objetivos de chegar a um ataque direto até a gruta do Henrique nas proximidades dos campos de altitude, refletimos acerca do tempo instável que pareava na região e redefinimos os nossos objetivos. Desenvolvemos o estímulo das intuições para perceber o quão forte é a natureza, as quais entenderam como Divina. Alinhado a enorme expectativa de todos, pelo fato de fazer algum tempo que não caminhávamos por essa região e dado uma semana com tempo instável e previsões ruins para a semana que estava por vir.


A Expedição teria também um atrativo especial, pois Pela primeira vez em mais de 10 anos, seria possível ver todos os cinco planetas que são visíveis a olho nu brilhando no céu. Cerca de uma hora antes do nascer do Sol, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, os cinco planetas que têm sido observados desde os tempos antigos.


Ainda há mais por vir. Em agosto deste ano os cinco planetas estarão juntos novamente, visíveis no céu noturno, portanto, fique atento para um espetáculo planetário em 2016.

Caminhando pela primeira vez a noite na região sem o restante dos integrantes equipe de campo Manoa fizemos uma subida bastante calma e cautelosa ganhando altitude aos poucos, a visibilidade na montanha não passava de 10 metros em local aberto, o frio era ameno e a chuva constante, a escolha da investida a noite foi pensando em evitar assim um pouco do calor e também das picadas de insetos que são implacáveis na região.

A expedição estava indo conforme o planejado até que ao passar pelo primeiro mirante após a clareira e antes da bica d água a chuva vem torrencial e nos pega de surpresa, pela experiência em outras expedições e cientes dos riscos reais de problemas com hipotermia da combinação chuva+frio, resolvemos regredir alguns minutos e voltar ao ultimo acampamento e montar uma base sólida para nos aquecer, tomar e comer algo quente e redefinir o nosso cronograma, por ali foi possível fazer uma fogueira perto de uma pedra aonde para nossa sorte já tinha lenha seca e com um pouco de atenção e alguns minutos de energia concentrada estávamos quentes ao redor da fogueira rediscutindo nossos planos, entramos em consenso e decidimos passar a noite por ali na esperança de uma trégua da chuva torrencial para prosseguir até a gruta na manhã seguinte.


Na manhã do dia 2 a chuva era constante então recolhemos acampamento bem cedo e partimos rumo a gruta, o caminho estava bem escorregadio e com bastante água descendo pela escadaria, aproximando-se do platô 900 sem nenhuma visibilidade do vigia do crista (guardião), não perdemos tempo e continuamos a caminhada, como havíamos descansado e nos alimentado bem na noite anterior a caminhada estava muito progressiva e evoluindo rapidamente, antes mesmo do meio dia já tínhamos passado a região conhecida como cabeluda devido a sua vegetação de longe lembrar cabelos embaraçados e iniciaríamos uma ascensão até a pedra do picolé no meio de forte neblina e com o frio e o vento mais intensos devido a altitude da montanha.

No momento em que passávamos pela cabeluda observamos em comparação com as outras vezes que estivemos na montanha o baixo numero de lixo na região. Grelhas, lonas e garrafas tinham uma quantidade mais elevada, estes que na volta levamos para a base da montanha, importante valorizar o trabalho de associações e organizações que fazem mutirões para a coleta do lixo na região do monte crista.  Como referência o trabalho de Ações voluntárias como da Associação Joinvilense de Montanhismo – AJM, que vem realizando durante muitos anos trabalhos de sensibilização e cadastro dos visitantes nos feriados e organizando vários mutirões para a coleta de lixo e conservação das trilhas do monte crista.


Chegamos à gruta por volta de 13h00min montamos acampamento e por ali ficaríamos com base montada até o dia da descida, fazendo investidas para estudos nas proximidades, com o acampamento montado fomos a busca de água, na gruta existe um sistema de coleta de água mais estava muito turva e inconfiável para beber, saindo do picolé sentido a serra do quiriri existe um local para coleta de água potável, mais a visibilidade na montanha não estava colaborando devido a forte neblina não era uma opção. Achamos seguro ferver a água e beber a da gruta, em seguida a chuva aumentou e o problema da água se resolveu com a coleta da mais pura água da chuva filtrada por musgos e rocha limpa.


Achei importante ressaltar também que a gruta estava muito limpa e organizada, assim como a deixamos na nossa saída, um fato triste foi o “cano” da parede onde contém um caderno e uma caneta para o relato das pessoas que por ali passaram e que estava La por anos e com uma importância histórica respeitável estava jogado em qualquer lugar sem nenhum cuidado, na nossa saída da gruta colocamos o cano no lugar deixamos o nosso relato e restauramos o trabalho. Afinal, muitas páginas daquele caderno têm historias minhas e de meus companheiros e amigos de montanha. Está pronto para uso.

O tempo na altitude aproximada de 1.200 permaneceu instável o tempo todo com exceção o final da tarde do segundo dia de montanha, onde teve uma pequena trégua nas nuvens e uma breve abertura do topo das montanhas, o suficiente para dar noção de quanto tínhamos caminhado e que todo o esforço e perrengue faz parte e o final sempre será contemplativo e agradável.


À noite tivemos fogueira e muitas conversas e histórias de montanha ao redor dela comendo batatas assadas e tomando um chá quente para repor energias para a descida que seria trabalhosa devido a problemas na mochila de um dos integrantes, estaque posteriormente foi ajustada e estava pronta para a descida no terceiro dia bem cedo.

Acordamos no dia da descida, levantamos acampamento, comemos uma refeição principal e estávamos prontos para as outras muitas horas de descida da montanha, na região da cabeluda os rios para atravessar estavam com o nível um pouco acima do normal devido às fortes chuvas da noite anterior, nada que atrapalhasse o nosso cronograma, por volta de meio dia estávamos no mirante antes da clareira, por ali comemos alguns cereais e nos recompomos. Dali em diante fez um ataque direto até a clareira, com a quantidade de mosquitos sempre muito elevada ali naquela região foi uma parada apenas para água e seguimos adiante, a descida é sempre um momento muito importante, pois o cansaço acumulado e talvez alguma desidratação possamos fazer perder pequenas faculdades mentais e dificultar o final do trajeto, não foi nosso caso, chegamos à travessia do rio três barras às 16 horas, o nível do rio estava baixo e por ali se dava concluída e encerrada mais uma grande aventura e que apesar de todas as dificuldades deu tudo certo e o sentimento era de satisfação com mais uma subida com sucesso no monte crista. E também mais uma superação individual de cada integrante da expedição.



‘’Eu Indioê A. Autovicz agradeço imensamente aos meus irmãos e parceiros desta expedição Andrey M. Rawietsch e Leonardo l. Becker.’’

"Experiencia sem igual vivida nesta expedição. Cada gota de suor, o cansaço e o desconforto causado pela umidade excessiva que 'brotava' da montanha, foram compensados ao se atingir a altitude. Sentimento inexplicável de ser humano que nestes raros momentos, se coloca no seu lugar perante a natureza." Andrey Rawietsch.

Indioê Alan Autovicz.
– Monte Crista- Garuva -Santa Catarina fevereiro de 2016.